Data: 29/11/2021 10:18 / Autor: Redação ABCdoABC / Fonte: Estadão Conteúdo

Definição no PSDB cria ‘núcleo duro’ no centro com Doria, Ciro e Moro

Candidatos tentam brigar nas urnas com Bolsonaro e Lula


Crédito: Governo do Estado de São Paulo

O fim das prévias tucanas serviu para delimitar uma espécie de núcleo duro do centro político para a disputa presidencial de 2022. Expandido por mais sete pré-candidaturas, a chamada terceira via tem agora três postulantes que trabalham efetivamente para liderar uma candidatura: Ciro Gomes (PDT), Sérgio Moro (Podemos) e João Doria (PSDB).

Ciro e o PDT têm assegurado que não abrem mão da disputa. O governador paulista e o ex-juiz da Lava Jato admitem a ideia de composição futura. Ambos, porém, esperam arregimentar apoios, demonstrando até o fim do primeiro trimestre do próximo ano que seus projetos possuem mais perspectiva de poder.

O tucano conta com uma vantagem: segue no comando do Estado mais rico do País até abril, quando, por força de lei, terá de se desincompatibilizar. Nesses quatro próximos meses, Doria pretende inaugurar estações de metrô e trechos de rodovias, anunciar investimentos internacionais, assinar novas concessões e, claro, nacionalizar ainda mais seu discurso, além de refazer pontes para atrair novos e antigos aliados.

Para a reportagem, o tucano disse que pretende conversar com outras lideranças da chamada terceira via assim que voltar de sua viagem oficial para os EUA. "Quero me reunir, primeiro, com os outros pré-candidatos do PSDB Eduardo Leite e Arthur Virgílio, e com o presidente do partido, Bruno Araújo. Em seguida, vou procurar os presidentes dos partidos do nosso campo para conversar", afirmou o governador.

Enquanto Doria planeja os próximos passos, Moro segue rodando o País: anunciou agendas em São Paulo, Brasília, Curitiba e Porto Alegre. Apesar de abandonar a toga para integrar o governo de Jair Bolsonaro como ministro da Justiça, ele quer se apresentar como o "novo" na política, aliando ao combate à corrupção as bandeiras de responsabilidades fiscal, ambiental e social.

Segundo representantes do Podemos, um dos focos da articulação será a busca por apoio entre os evangélicos, por meio do principal braço político do segmento, o Republicanos. Visto por adversários como o nome mais à direita desse grupo, Moro vai tentar avançar em pautas ditas conservadoras, onde Bolsonaro até agora tem falhado em cumprir parte de suas promessas.

POLARIZAÇÃO

Com Doria, Moro e Ciro já mais avançados sobre o eleitorado de centro, a almejada candidatura única fica mais distante. Apesar disso, o ex-tucano Luiz Felipe d’Avila (Novo) disse que espera "espírito público" de Doria para seguir trabalhando por esse objetivo.

Ao menos nesse ponto, d’Avila e Ciro têm discursos semelhantes, de que é preciso unir forças para evitar a polarização no segundo turno entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Bolsonaro. Mas o pré-candidato do PDT, nesse momento, está mais distante das conversas sobre o afunilamento do centro.

Com a entrada de Moro na disputa, a tentativa de Ciro de puxar para si partidos como o DEM e o PSL ganha um concorrente de peso. Se vingar, o futuro União Brasil (fusão das duas siglas) já virou alvo também do Podemos, além de estar na lista de Doria.

TEMPO

Para o presidente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), no entanto, é preciso dar tempo ao tempo. "O que se sabe apenas é que nenhuma candidatura vai vingar sozinha." Presidente do Cidadania, Roberto Freire segue a mesma linha e disse que os nomes para 2022 estão colocados. "Resta saber é quem serão os protagonistas. A tendência é de afunilamento em torno dessas candidaturas, especialmente Doria, Moro e Ciro."

O cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, afirmou que "o mercado eleitoral está muito competitivo com a entrada de Moro". "O vencedor das prévias tucanas é um dado secundário diante dos desafios estruturais que o PSDB enfrenta. Existe a janela de oportunidade para recuperar o status, mas não há sinais de que o partido aprendeu lições no pós-Lava Jato. Há uma perda de identidade e uma permanente falta de coesão das lideranças nacionais frente ao governo Bolsonaro."

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