Data: 29/10/2020 19:42 / Autor: Redação / Fonte: ABCdoABC

Eleições Municipais 2020: Santo André - Entrevista com Professora Bete Siraque

Candidata do PT à Prefeitura de Santo André, a Vereadora Professora Bete Siraque, foi entrevistada pelo portal ABCdoABC. Assista ao vídeo


Crédito: Odair Jr/ABCdoABC

As Eleições Municipais 2020 estão cada vez mais próximas, dessa forma, muitos candidatos estão em busca de uma oportunidade nos cargos políticos para prefeito, vice e vereador ou, até mesmo, de uma reeleição. Importante salientar, ainda, que o primeiro turno será realizado no dia 15 de novembro, enquanto o segundo está marcado para 29 de novembro.

Como forma de saber mais sobre os candidatos, o portal ABCdoABC traz uma série de entrevistas exclusivas. Desta vez, a convidada foi a vereadora de Santo André, Professora Bete Siraque, que está concorrendo à prefeitura.

Aplicamos para todos os candidatos que disputam os cargos perguntas similares em suas candidaturas. Confira o resumo das respostas do candidato:

Qual sua avaliação da atual gestão da Prefeitura em sua cidade?

A avaliação que eu faço da atual administração do prefeito Paulo Serra é aquela administração morna. Ela tocou os quatro anos sem nenhuma marca, sem um projeto de destaque, simplesmente tocou a cidade. Por outro lado, também uma avaliação negativa porque ele iniciou o governo fechando sete Unidades de Saúde, a UPA do Jardim Santo André, apresentou e aprovou na câmara a lei que aumenta o IPTU de forma muito exacerbada. O prefeito recebeu uma série de reclamações da cidade como um todo, fizemos as manifestações necessárias e ele apresentou um outro projeto suspendendo a lei, ele não revogou. A qualquer momento ele pode aplicar a lei. Há pouco tempo também fez uma negociata com o equipamento do Posto de Saúde da Vila Guiomar, tá vendendo outros terrenos, teve a situação das fraldas, que está sendo investigada (superfaturamento). Agora o prefeito resolveu apresentar algumas obras na cidade, eu estou caminhando bastante e vi que ele está fazendo algumas quadras. Só que quando você vai conversar com a periferia da cidade e pergunta ‘o que você achou da quadra?’, as pessoas unanimemente [respondem] primeiro, não é a prioridade, porque na pandemia a gente precisava que o esgoto fosse tratado, que o posto de saúde tivesse os remédios adequados e que agilizassem as consultas. Tem tantas outras coisas que são fundamentais que não foram feitas e o prefeito agora nesse último ano de governo, vendeu o Semasa, trocou a nossa água por asfalto, está fazendo algumas obras eleitoreiras para dizer que está cuidando da cidade. Infelizmente é um projeto de poder.

Quais as principais dificuldades nesses quatro anos?

A gente percebeu que o prefeito não disse a que veio. Ficou três anos e meio administrando a cidade e apresentando projetos desta ordem, se desfazendo de equipamentos importantes e históricos como o Semasa. E agora que o problema do esgoto não foi equacionado, recorre a quem? Ao Paulo Serra? Ou à Sabesp? Porque ele deu a água e esgoto para a Sabesp, não está mais sobre o nosso controle. Então o prefeito não disse a que veio, do ponto de vista de um projeto de cidade, de governo, as alterações importantes nas áreas fundamentais ele não fez, inclusive no momento da pandemia.

O que a cidade mais precisa?

Nesse momento da pandemia evidentemente que a nossa atenção fica muito voltada primeiro à questão da saúde e segundo à questão da sobrevivência das pessoas, da geração de emprego e renda, e fortalecimento do trabalho. Nós vimos a quebradeira que foi esse país pela má administração do Governo Federal, Estadual e também do Governo Municipal. Não se preocuparam, primeiro, com as pessoas, com a sobrevivência das pessoas. Se não fosse a luta das nossas bancadas progressistas, não teria o auxílio emergencial. Agora o Bolsonaro tirou os 600 reais, deixou pela metade. Se já era uma dificuldade as famílias sobreviverem com 600 reais, com 300 eu não sei o que vai ser. Eu tenho andado por vários centros comerciais, as placas são unânimes: aluga-se, vende-se e passo o ponto, é isso que a gente vê na cidade. Também não teve os cuidados necessários para a proteção do pequeno comerciante, do pequeno empreendedor, do micro e pequeno empresário. Isso é fundamental porque as famílias, se não tem trabalho, não tem renda, e se não tem renda, não tem sobrevivência, não consome, o mercado não gira. Nesse aspecto da geração de trabalho e renda o prefeito não fez absolutamente nada, apenas se precipitou abrindo tudo. E a cobrança tem que ser feita porque ele é do mesmo partido que o Doria. E o Doria apoiou o Bolsonaro nas eleições. Eles poderiam ter formulado um plano para o Grande ABC. Nós temos o Consórcio Intermunicipal, o prefeito poderia ter se articulado com uma postura de quem quer governar e cuidar de verdade. A postura tinha que ter sido outra. Então saúde e trabalho são duas áreas fundamentais nesse momento da pandemia.

Por que pretende ser prefeita e quais as suas propostas?

Sou mulher, sou professora, vereadora, trabalhei com Celso Daniel. Tive a felicidade de, na Secretaria de Educação, implementar projetos importantes para a nossa cidade: o Sabina, o Planetário, o CESAs, um projeto tão bem avaliado na cidade que foi idealizado por mim, projetos pela vida não-violenta, ampliação da nossa rede escolar, das creches, a valorização profissional, formação continuada, vários projetos que me deram a possibilidade de me preparar enquanto administradora. Inclusive fui coordenadora do GT de Educação do Consórcio Intermunicipal e também do GT do Mercosul, representando a cidade de Santo André e o Brasil. Tive a oportunidade de apresentar os nossos projetos em outros países. Na Secretaria de Educação fiz parte da coordenação do Cidade Futuro, um projeto importante do prefeito Celso Daniel, que planejou a cidade para 20 anos e inclusive este ano se completam os 20 anos de planejamento do Cidade Futuro. Eu fui uma das coordenadoras e tive a felicidade de participar e contribuir em todas as reuniões. Esses elementos são fundamentais para a formação de um gestor, eu tive um dos melhores professores de gestão, que foi o Celso. Esse acúmulo fez com que agora pudesse oportunizar a minha candidatura, trazendo vários elementos: Toda a minha contribuição na área da educação, na gestão pública, minha contribuição e aprendizado enquanto vereadora da cidade de Santo André por dois mandatos. Poderia estar caminhando para o terceiro mas assumimos a missão de administrar essa cidade com o olhar das mulheres. Porque muitas vezes a gente percebe que nas administrações tocam o grosso, mas a essência, a especificidade, o detalhe, isso a gente não tem percebido. Portanto eu me coloco à disposição de cuidar da cidade com essas características. A experiência que tive nas nossas administrações petistas, a experiência de vereadora, de mulher, professora e também de mãe, esse cuidado que acho que a cidade está precisando.

Como foi feito o enfrentamento à pandemia em Santo André?

O enfrentamento da pandemia em Santo André é igual ao de todas as outras cidades. Tem uma questão que preconiza a nossa constituição que é a obrigação de fazer. Nenhum prefeito, governador, muito menos o presidente pode se omitir a fazer qualquer coisa num momento como esse de pandemia. Então todos os prefeitos das cidades criaram seus hospitais de campanha, suas frentes de atendimento para conter o vírus. Aqui em Santo André eu acredito que houve precipitação na abertura da cidade, na circulação. Esse enfrentamento, do ponto de vista da estrutura, ele tomou como todas as outras cidades. Do ponto de vista dos testes, das informações, da transparência, isso eu tenho muita dúvida. Vou dar um exemplo. Tem a SARS, a síndrome respiratória. Nós fizemos um comparativo dos dados do ano passado para este ano. Esse ano houve um aumento de mais de 300%. Será que as pessoas morreram de SARS ou de uma sub-notificação, que não revelou que era Covid? Pairam muitas dúvidas em relação à pandemia. Então a gente não sabe ao certo qual é o número verdadeiro e absoluto em relação à pandemia, porque se a gente soubesse as medidas deveriam ser outras.

Quais são os desafios para os próximos anos?

A pandemia agravou muito as desigualdades que a gente vem sofrendo desde o golpe, desde o impeachment da Dilma. Nesses próximos quatro anos evidentemente que nós vamos ter que ter esse olhar cuidadoso em relação à saúde. Vamos ter que qualificar o nosso sistema em relação à pandemia, as vacinas, atendimento, organização, aos cuidados com as pessoas. Em uma cidade que aproximadamente 20% da população é idosa, temos que ter atendimento específico para a terceira idade, assim como para as crianças e os adolescentes também. Então a organização do sistema de saúde será fundamental. Também será fundamental a organização em relação à geração de emprego, trabalho e renda. As pessoas estão desempregadas, famintas e desalentadas. Se não criarmos um sistema de desenvolvimento econômico sustentável, antenado com as novas tecnologias, que abra a frente de trabalho para os nossos jovens, mas também utilize da economia solidária através das cooperativas das regiões da cidade, absorvendo neste mercado as pessoas que estão fora dele ou por idade ou por baixa escolaridade, essas pessoas precisam ser reempregadas para que elas possam cuidar de seus lares. Esse cuidado vai ser essencial, evidentemente que a cidade tem que ser olhada como um todo, a zeladoria, a questão da moradia digna e da educação, como é que nós vamos preparar a nossa rede para o retorno.

Hoje, por conta da pandemia, o que é prioritário: saúde, educação ou economia?

Elas são indissociáveis. Todas elas trabalham com áreas fundamentais na vida das pessoas. Você precisa de saúde para ter prolongamento de vida, trabalho para manutenção e sobrevivência sua e da sua família e a educação é um dever do Estado, portanto ela tem que ser cuidada, principalmente por conta do retorno. Que esse direito seja cuidado para que não somente

Os nossos alunos não sejam contaminados, mas todos os profissionais que atuam nas escolas e também as suas famílias, então esse retorno precisa ser muito bem planejado.

Em termos eleitorais, como a senhora enxerga o cenário político em Santo André?

Eu tenho observado algumas informações, 40% da população ainda não escolheu seu candidato. Muitas pessoas, por decorrência da pandemia, tiveram que manter-se em isolamento, então a comunicação com a cidade ficou muito precária. Agora temos que retornar, fazer campanha com todos os cuidados, não vai ser uma campanha de massa. Não temos tempo e não tenho recurso para isso. Mas tenho muita disposição, tenho meus pés que não se cansam de caminhar e prestar atenção ao que as pessoas estão falando. Quando a gente ouve mais, erra menos. Ouvir as necessidades da cidade tem sido muito importante, inclusive trazendo elementos fundamentais para o meu programa de governo.

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